Daniel Vorcaro adquiriu o banco em 2018 com capitalização de R$400mi. O modelo de crescimento usou a emissão massiva de CDBs a rendimentos de até 177% do CDI — atraindo investidores de varejo pelo FGC como escudo. Em 4 anos, a receita foi de R$190mi para R$1bi. A expansão incluiu Will Bank, Banco Pleno e a gestora Reag, criando um conglomerado financeiro interdependente cuja liquidez real se deteriorava enquanto os balanços pareciam sólidos.
O BC identificou em março/2025 que 130 contratos analisados não tinham lastro algum. O banco não conseguia pagar 15% dos vencimentos semanais. No momento da liquidação, o caixa era de apenas R$4 milhões. O BC decretou a liquidação em 18 nov 2025. A tentativa de venda ao BRB foi barrada em setembro/2025 — as investigações concluíram que o objetivo era fundir balanços para diluir a fraude em um banco público.
O caso ultrapassou o sistema financeiro. O governador Ibaneis Rocha (GDF) admitiu reuniões com Vorcaro sobre a fusão BRB/Master. O senador Ciro Nogueira apresentou PEC que quadruplicaria o limite do FGC — apelidada de "emenda Master". Vorcaro e aliados compraram ações do BRB via laranjas, chegando a 25% do capital do banco público. E mensagens nos celulares de Vorcaro revelaram vínculos com o ministro do STF Dias Toffoli, que acabou saindo da relatoria do caso.
O FGC vai desembolsar aproximadamente R$41 bilhões — cerca de 1/3 de todo o seu patrimônio. O maior resgate da história do fundo. Limite: R$250mil por CPF. 18 fundos de pensão estaduais e municipais que investiram R$1,86bi em letras financeiras e fundos do Master não serão ressarcidos — esses produtos não têm cobertura do FGC. Agências de rating que atestavam saúde financeira do Master terão que explicar suas análises.