Narcotráfico Internacional · Lavagem de Dinheiro · Sistema Financeiro Brasileiro
Segundo os autos do processo, Oliver Ortiz se fixou no Brasil a partir de 2009, instalando-se em uma cobertura triplex de luxo na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Passou a se apresentar como empresário, embora nenhum de seus negócios declarados fosse bem-sucedido.
Sua função no Brasil era exclusivamente a lavagem do dinheiro proveniente do tráfico internacional. Nenhum quilo de cocaína da quadrilha passou pelo Rio de Janeiro.
Nesse período, começou a adquirir imóveis na Baixada Fluminense e na zona oeste do Rio, declarados abaixo do valor real, utilizando laranjas e empresas de fachada.
Oliver Ortiz liderava uma estrutura hierarquizada especializada no tráfico marítimo de cocaína por veleiros, com rotas da Colômbia para a Austrália e da Colômbia para a Europa.
A operação tinha conexões com cartéis colombianos. Ortiz era mergulhador profissional e participava pessoalmente da elaboração de rotas e imersões para fixação de cargas.
O elo inicial que ativou as investigações foi a apreensão de um veleiro com 300 kg de cocaína e quatro espanhóis na costa australiana — o que levou a Polícia Australiana a acionar o Brasil.
Após a apreensão do veleiro com 300 kg de cocaína na costa australiana, as autoridades australianas repassaram informações ao Brasil sobre a rede de tráfico e a atuação de Oliver Ortiz.
A investigação no Brasil ficou sob comando do delegado Paulo Telles, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal, com suporte da DEA (EUA), policiais portugueses e da Receita Federal brasileira.
A partir daí, a PF passou a monitorar a evolução patrimonial de Ortiz no Brasil — traçando a incompatibilidade entre seus negócios fracassados e seus ativos de luxo.
Com 20 agentes da Polícia Federal, Oliver Ortiz foi preso na manhã de 27 de junho de 2013 em sua cobertura triplex de luxo na Barra da Tijuca. Tinha 35 anos à época.
A operação foi batizada de Monte Perdido — referência à cordilheira espanhola que remete ao sobrenome "Zarate".
Ortiz era casado com uma brasileira e tinha um filho. Vivia como cidadão comum, tentando integrar-se à sociedade carioca.
Em dezembro de 2013, Oliver Ortiz foi condenado à pena de 16 anos de prisão pelos crimes de tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.
A denúncia do MPF-RJ descreveu o esquema de lavagem: aquisição de imóveis abaixo do valor real, uso de empresas de fachada, registro de bens em nome de laranjas e, posteriormente, integração em fundos de investimento.
A investigação contou com cooperação formal de Portugal, Austrália e Estados Unidos (DEA).
Mesmo preso, evidências apontam que recursos oriundos do esquema de Ortiz continuaram circulando no sistema financeiro por meio de operadores.
Oliver Ortiz aparece como cotista de fundos geridos pelo Grupo Aquilla e pela Sefer Investimentos (antiga Foco DTVM), com valores estimados em centenas de milhões de reais, segundo fonte da reportagem.
A engenharia de lavagem incluía integralização de terrenos baratos da Baixada Fluminense em fundos imobiliários, inflando artificialmente o patrimônio do cotista.
Daniel Vorcaro adquiriu o Banco Máxima em 2017 — negociação intermediada por Benjamim Botelho. A instituição seria posteriormente rebatizada como Banco Master.
Segundo a fonte da reportagem (ICL Notícias), um fundo do Grupo Aquilla participou estruturalmente da operação de compra, conectando Oliver Ortiz ao negócio.
Documentos da CVM analisados pela reportagem indicam a presença de Ortiz como cotista nos fundos que aportaram recursos na transação.
A fonte afirmou: "Recursos utilizados na constituição dos fundos imobiliários e na aquisição do Banco Master são oriundos de lavagem de dinheiro do traficante Oliver Ortiz."
A Polícia Federal notificou formalmente Oliver Ortiz de que, ao término do cumprimento da pena de 16 anos, ele seria expulso do território nacional e deportado para a Espanha.
Paralelamente, as investigações sobre o Banco Master avançaram e passaram a tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em janeiro de 2025, a Operação Compliance Zero em sua segunda fase investigou a corretora Sefer Investimentos — antiga Foco DTVM — suspeita de integrar esquema de repasse de recursos para negócios da família Vorcaro.
Apenas nove dias após o Banco Central decretar a liquidação do Banco Master, uma offshore nas Bahamas ligada à Sefer foi aberta — movimento considerado altamente suspeito pelas autoridades.
O Banco Central do Brasil decretou a liquidação do Banco Master após investigações que revelaram fraudes bilionárias.
Segundo a PF, o esquema incluía: compra de empresas de baixo valor para inflar artificialmente resultados; desvio de recursos de fundos de investimento; uso de informações privilegiadas; manipulação de preços; e venda de ativos podres.
As investigações que relacionam a origem dos recursos ao tráfico de drogas de Oliver Ortiz passaram a tramitar no STF.
Em março de 2026, o ICL Notícias publicou reportagem com base em documentos de transações financeiras, processos judiciais e registros da CVM, revelando a cadeia: Oliver Ortiz → Grupo Aquilla / Sefer → Benjamim Botelho → Banco Master / Daniel Vorcaro.
O caso passa a ter repercussão nacional, dada a magnitude do Banco Master e o envolvimento de recursos originados no narcotráfico internacional na estrutura de compra de uma instituição financeira brasileira.