INVESTIGAÇÃO JORNALÍSTICA · BRASIL · 2026 Caso Documentado

Oliver Ortiz
de Zarate Martin

Narcotráfico Internacional · Lavagem de Dinheiro · Sistema Financeiro Brasileiro

Oliver Ortiz de Zarate Martin
Espanhola
c. 1978 · Espanha
Operação Monte Perdido
16 anos · Tráfico + Lavagem
DEA (EUA) · Austrália · Portugal · Receita Federal
R$ 20 milhões em bens + moedas estrangeiras
PF notificou expulsão do Brasil após pena
01

Linha do Tempo

2009
Início documentado das atividades criminosas no Brasil
Narcotráfico +
Rio de Janeiro, Brasil

Segundo os autos do processo, Oliver Ortiz se fixou no Brasil a partir de 2009, instalando-se em uma cobertura triplex de luxo na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Passou a se apresentar como empresário, embora nenhum de seus negócios declarados fosse bem-sucedido.

Sua função no Brasil era exclusivamente a lavagem do dinheiro proveniente do tráfico internacional. Nenhum quilo de cocaína da quadrilha passou pelo Rio de Janeiro.

Nesse período, começou a adquirir imóveis na Baixada Fluminense e na zona oeste do Rio, declarados abaixo do valor real, utilizando laranjas e empresas de fachada.

2009
a 2012
Liderança de esquema internacional: cocaína Colômbia → Europa e Oceania
Narcotráfico +
Colômbia → Austrália / Europa (Atlântico e Pacífico Sul)

Oliver Ortiz liderava uma estrutura hierarquizada especializada no tráfico marítimo de cocaína por veleiros, com rotas da Colômbia para a Austrália e da Colômbia para a Europa.

A operação tinha conexões com cartéis colombianos. Ortiz era mergulhador profissional e participava pessoalmente da elaboração de rotas e imersões para fixação de cargas.

Dado de mercado 1 kg de cocaína na Oceania atingia mais de R$ 200.000 na época — altíssima margem de lucro comparada ao mercado europeu.

O elo inicial que ativou as investigações foi a apreensão de um veleiro com 300 kg de cocaína e quatro espanhóis na costa australiana — o que levou a Polícia Australiana a acionar o Brasil.

2012
Polícia Australiana ativa a Polícia Federal brasileira
Investigação +
Austrália → Brasil

Após a apreensão do veleiro com 300 kg de cocaína na costa australiana, as autoridades australianas repassaram informações ao Brasil sobre a rede de tráfico e a atuação de Oliver Ortiz.

A investigação no Brasil ficou sob comando do delegado Paulo Telles, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal, com suporte da DEA (EUA), policiais portugueses e da Receita Federal brasileira.

A partir daí, a PF passou a monitorar a evolução patrimonial de Ortiz no Brasil — traçando a incompatibilidade entre seus negócios fracassados e seus ativos de luxo.

2013
Jun
Prisão — Operação Monte Perdido · Barra da Tijuca
Prisão +
Barra da Tijuca, Rio de Janeiro · 27 de junho de 2013

Com 20 agentes da Polícia Federal, Oliver Ortiz foi preso na manhã de 27 de junho de 2013 em sua cobertura triplex de luxo na Barra da Tijuca. Tinha 35 anos à época.

A operação foi batizada de Monte Perdido — referência à cordilheira espanhola que remete ao sobrenome "Zarate".

Bens apreendidos no momento da prisão R$ 175 mil em reais · US$ 150 mil em dólares · € 110 mil em euros · 7 imóveis · 3 automóveis (incluindo uma Ferrari Califórnia 2011, avaliada em R$ 1,19 milhão) · 1 motocicleta · Total estimado: R$ 20 milhões

Ortiz era casado com uma brasileira e tinha um filho. Vivia como cidadão comum, tentando integrar-se à sociedade carioca.

2013
Dez
Condenação: 16 anos por tráfico internacional + lavagem de dinheiro
Condenação +
Justiça Federal · Rio de Janeiro

Em dezembro de 2013, Oliver Ortiz foi condenado à pena de 16 anos de prisão pelos crimes de tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.

A denúncia do MPF-RJ descreveu o esquema de lavagem: aquisição de imóveis abaixo do valor real, uso de empresas de fachada, registro de bens em nome de laranjas e, posteriormente, integração em fundos de investimento.

A investigação contou com cooperação formal de Portugal, Austrália e Estados Unidos (DEA).

2013
a 2017
Dinheiro do tráfico integrado a fundos imobiliários via Grupo Aquilla / Sefer
Lavagem +
São Paulo · Rio de Janeiro · Bahamas (offshore)

Mesmo preso, evidências apontam que recursos oriundos do esquema de Ortiz continuaram circulando no sistema financeiro por meio de operadores.

Oliver Ortiz aparece como cotista de fundos geridos pelo Grupo Aquilla e pela Sefer Investimentos (antiga Foco DTVM), com valores estimados em centenas de milhões de reais, segundo fonte da reportagem.

A engenharia de lavagem incluía integralização de terrenos baratos da Baixada Fluminense em fundos imobiliários, inflando artificialmente o patrimônio do cotista.

Elo operacional Benjamim Botelho de Almeida — ex-Banco Garantia (origem do BTG Pactual), com dupla nacionalidade portuguesa e brasileira, residente em Lisboa — é apontado pela PF como sócio oculto de Daniel Vorcaro e intermediário entre Ortiz e o universo financeiro.
2017
Fundo ligado a Ortiz participa da compra do Banco Máxima por Vorcaro
Sistema Financeiro +
Brasil · Faria Lima, São Paulo

Daniel Vorcaro adquiriu o Banco Máxima em 2017 — negociação intermediada por Benjamim Botelho. A instituição seria posteriormente rebatizada como Banco Master.

Segundo a fonte da reportagem (ICL Notícias), um fundo do Grupo Aquilla participou estruturalmente da operação de compra, conectando Oliver Ortiz ao negócio.

Documentos da CVM analisados pela reportagem indicam a presença de Ortiz como cotista nos fundos que aportaram recursos na transação.

A fonte afirmou: "Recursos utilizados na constituição dos fundos imobiliários e na aquisição do Banco Master são oriundos de lavagem de dinheiro do traficante Oliver Ortiz."

2024
PF notifica Oliver Ortiz de expulsão do Brasil após cumprimento de pena
Judicial +
Brasil

A Polícia Federal notificou formalmente Oliver Ortiz de que, ao término do cumprimento da pena de 16 anos, ele seria expulso do território nacional e deportado para a Espanha.

Paralelamente, as investigações sobre o Banco Master avançaram e passaram a tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF).

2025
Jan
Operação Compliance Zero (2ª fase) mira Sefer Investimentos
Investigação Financeira +
São Paulo · Faria Lima

Em janeiro de 2025, a Operação Compliance Zero em sua segunda fase investigou a corretora Sefer Investimentos — antiga Foco DTVM — suspeita de integrar esquema de repasse de recursos para negócios da família Vorcaro.

Apenas nove dias após o Banco Central decretar a liquidação do Banco Master, uma offshore nas Bahamas ligada à Sefer foi aberta — movimento considerado altamente suspeito pelas autoridades.

2025
Banco Central liquida o Banco Master · Fraudes bilionárias confirmadas
Sistema Financeiro +
Brasil · Banco Central

O Banco Central do Brasil decretou a liquidação do Banco Master após investigações que revelaram fraudes bilionárias.

Segundo a PF, o esquema incluía: compra de empresas de baixo valor para inflar artificialmente resultados; desvio de recursos de fundos de investimento; uso de informações privilegiadas; manipulação de preços; e venda de ativos podres.

As investigações que relacionam a origem dos recursos ao tráfico de drogas de Oliver Ortiz passaram a tramitar no STF.

2026
Mar
Reportagem ICL Notícias revela conexão Oliver Ortiz → Banco Master
Exposição Pública +
Brasil · Mídia Nacional

Em março de 2026, o ICL Notícias publicou reportagem com base em documentos de transações financeiras, processos judiciais e registros da CVM, revelando a cadeia: Oliver Ortiz → Grupo Aquilla / Sefer → Benjamim Botelho → Banco Master / Daniel Vorcaro.

O caso passa a ter repercussão nacional, dada a magnitude do Banco Master e o envolvimento de recursos originados no narcotráfico internacional na estrutura de compra de uma instituição financeira brasileira.

Ponto de atenção Os valores exatos investidos por Ortiz nos fundos não foram confirmados publicamente, e tanto Vorcaro quanto Botelho não foram ouvidos na reportagem. As alegações partem de fonte identificada como participante das operações.

Rede de Conexões

Núcleo Central
Oliver Ortiz de Zarate Martin
Espanhol, 35 anos na prisão. Chefe de quadrilha, mergulhador, conexão com cartéis colombianos.
CONDENADO · 16 anos
Operador Financeiro
Benjamim Botelho de Almeida
Ex-Banco Garantia. Dupla nacionalidade PT/BR. Residente em Lisboa. Sócio oculto apontado pela PF.
INVESTIGADO
Empresário
Daniel Vorcaro
Fundador e dono do Banco Master. Comprou o Banco Máxima em 2017 com intermediação de Botelho.
SOB INVESTIGAÇÃO · STF
Veículo Financeiro
Grupo Aquilla / Sefer Investimentos
Fundos com Ortiz como cotista. Sefer = antiga Foco DTVM. Alvo da Operação Compliance Zero.
ALVO DA PF
Instituição Financeira
Banco Master (ex-Máxima)
Adquirido em 2017. Liquidado pelo Banco Central em 2025 após investigações de fraudes bilionárias.
LIQUIDADO · 2025
Offshore suspeita
Empresa Bahamas / Sefer
Aberta 9 dias após a liquidação do Banco Master. Sinaliza possível fuga de recursos.
EM INVESTIGAÇÃO
Cobertura Internacional
DEA · Austrália · Portugal
Cooperação multilateral que viabilizou a prisão de Ortiz em 2013. Informação inicial: PF Australiana.
PARCEIROS DA PF
Origem da droga
Cartéis Colombianos
Fornecedores de cocaína transportada por veleiros. Rotas: Colômbia → Europa e Colômbia → Oceania.
ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

Fontes Documentais