Nasceu de investigações sobre uma rede de doleiros em Brasília que usavam um posto de gasolina e lava a jato para movimentar recursos ilícitos. Em 20 dias, alcançou a Petrobras com a prisão de Paulo Roberto Costa — revelando o maior esquema de corrupção do país: diretores da estatal direcionavam licitações para um cartel de empreiteiras em troca de propina sistemática.
Em 2019, o Vaza Jato (The Intercept) revelou conversas entre Moro e Dallagnol mostrando coordenação indevida entre juiz e acusação. O STF declarou Moro suspeito e incompetente para julgar Lula, anulando suas condenações. O efeito cascata de anulações alcançou Alberto Youssef, Palocci, OAS e dezenas de outros réus.
Apesar das controvérsias, a operação revelou o funcionamento interno de um mega-esquema sistêmico, gerou acordos de delação premiada inéditos, recuperou bilhões para o erário, resultou em cooperação internacional com 20+ países, e cataliticamente reformou a legislação anticorrupção brasileira.
A operação derrubou presidentes de câmara (Cunha), governadores (Cabral, 280 anos de pena cumulada), ministros e ex-ministros. Prendeu Lula por 580 dias, impedindo sua candidatura em 2018. Alimentou o clima político que levou à eleição de Bolsonaro. Moro tornou-se ministro da Justiça em 2019, o que foi posteriormente usado como evidência de parcialidade.
A Lava Jato é debatida como um caso de estudo em tensão permanente entre eficiência investigativa e garantias constitucionais: